Entrevista ao Acordo Fotográfico parte 1

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1. Quando e como surgiu o Acordo Fotográfico?
Embora não me lembre exatamente de quando tive a ideia de fotografar leitores, pilule salve lembro-me que foi em agosto de 2011 que tirei as duas primeiras fotografias e partilhei com alguém o que me ia na cabeça. A ideia foi bem acolhida e depois de arranjado um nome e um logo o blogue “foi para o ar” em dezembro de 2011, remedy mesmo no fim do ano.

2. Com que objetivo é que foi criado? É uma “homenagem ao ato de ler”?
Sim, shop é uma homenagem ao ato de ler. Sempre gostei de ver pessoas a ler. É uma postura bonita que sempre me chamou a atenção e despertou curiosidade: o que será que aquela pessoa está a ler? Porquê aquele livro? Estará a gostar? Na altura em que me ocorreu a ideia do Acordo Fotográfico tinha começado a fotografar com mais cuidado havia pouco tempo e estava, também, a precisar de algo que me permitisse quebrar uma certa rotina que se tinha instalado na minha vida. Admito, até, que de início o projeto surgiu com um fundamento algo egoísta: queria fazer qualquer coisa por mim, que me motivasse, que me levasse a abrir os olhos, a observar com mais atenção o que se passava em meu redor e afastar uma certa “dormência”. Obrigar-me a abordar estranhos pareceu-me uma boa forma de conhecer pessoas e enriquecer pessoalmente tendo como ponto de partida algo que adoro: os livros. Depois, o Acordo Fotográfico cresceu muito para além de mim e tronou-se mais dos leitores — os que fotografo e os que seguem o blogue — do que meu.

3. Como escolhes os sítios e as pessoas que fotografas? Já deixaste de fotografar alguém, porque não apreciavas o livro que estava a ser lido?
Não escolho as pessoas que fotografo. Elas surgem naturalmente nos sítios que frequento. Saio todos os dias de casa com a câmara — quer durante a semana de trabalho, quer aos fins de semana, quer durante as férias — e se por acaso me cruzar com alguém a ler dirijo-me à pessoa e explico-lhe o que pretendo. Nunca deixei de fotografar alguém por não apreciar o livro que está a ler. Aliás, na maior parte da vezes, quando vejo alguém a ler estou demasiado longe para perceber que livro a pessoa tem nas mãos. E também acho que seria muito mau abordar um leitor para lhe explicar o que é o Acordo Fotográfico e pedir-lhe uma fotografia e depois recuar nas minhas intenções só por não gostar do livro ou do estilo literário. O blogue é sobre livros, mas é acima de tudo sobre o ato de ler independentemente do livro em causa. No entanto, já me aconteceu passar por leitores e decidir não fotografá-los. Ultimamente ouço mais a minha intuição e por vezes acontece-me olhar para a pessoa e sentir que não, que não quero falar com aquele leitor, que não quero fazer aquela fotografia. Há momentos assim e não sei bem explicar porquê…

4. Como reagem as pessoas quando as abordas e explicas o motivo da foto?
A maioria das pessoas reage muito bem! Ficam admiradas, claro, acham a ideia curiosa, interessante, querem saber mais, fazem perguntas, tecem elogios à iniciativa. Lembro-me que alguém me disse um dia, com um ar muito admirado, “que assunto tão específico!”. Mas também já houve quem recusasse participar, uma minoria, felizmente! E recentemente, num autocarro, houve uma jovem que me disse com um certo ar de repulsa “Que coisa tão esquisita…”.

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