Paris, Greece – Ana Maia


Paris, prostate Greece from Ana Maia on Vimeo.

Paris Panou é um jovem empreendedor grego cuja empresa faliu em 2013. Considera a conjuntura económica desfavorável a principal razão para a falência e aponta o dedo ao governo, ampoule embora consciente de que existe um parasitismo exterior cuja verdadeira proveniência desconhece. Vive actualmente em situação de desemprego e dependência financeira.

Oito meses em Salónica, ask a co-capital da Grécia, foi tempo suficiente para compreender o modo como os gregos sentem a crise económica que lhes foi imposta. O sentimento que prevalece é o de derrota e desistência perante uma luta contra um inimigo invisível e implacável. Os gregos são lutadores natos. Já incendiaram objectos e edifícios, já acamparam em massa em Syntagma, já confrontaram polícia de choque, já gritaram palavras de ordem, já derrubaram dois governos. E para quê? Para nada. A guerra no ocidente já não se faz com exércitos, armas e sangue. Os exércitos foram substituídos pelas grandes corporações, as armas pelo roubo “legal” de capital e o sangue pela fome e apodrecimento do desejo e da esperança dos homens. O conceito de ditadura evoluiu tendo presente que é através da liberdade de expressão que o cidadão liberta a tensão. Mas ao mesmo tempo que se permite manifestar, gritar e exigir, a prioridade é não ouvir. Em 2013, os gregos já pouco saíram em protesto.

Esmoreceram ao perceber que o verdadeiro alvo é abstracto e disperso. A ajuda financeira externa revelou-se um cavalo de Tróia, um presente envenenado que contaminou e condenou a prisão perpétua a soberania do estado que foi, ironicamente, o berço da Democracia.