A fotografia no mundo do desporto

Imaginar um mundo onde as fotografias de desporto eram feitas apenas antes ou após o fim do jogo parece um absurdo, mas era assim que se faziam os registos desses eventos antes que a tecnologia possibilitasse aos fotógrafos tempos de exposição cada vez mais curtos. A fotografia de desporto, um dos pilares do fotojornalismo, teve início em 1896, após registos de alguns lances feitos na Primeira Olimpíada da Era Moderna, criada pelo francês Pierre de Coubertin. É possível encontrar alguns desses registos em preto e branco, bastante desfocados e, obviamente, sem nenhum momento decisivo.

 

Um pouco de história 

Desde o seu surgimento no séc. XIX, a fotografia passou por dois grandes momentos de evolução, que permitiram aos fotógrafos maior qualidade e possibilidades de registos. O advento das câmaras com controlo de velocidade certamente é o mais marcante, já que tornou possível fotografar em movimento. Somado a isso, a melhoria das lentes e dos materiais abriram um novo caminho para os fotógrafos.

Para os que já se arriscavam em campo, não era necessário reunir todos os jogadores para a clássica e repetitiva fotografia da equipa – que muitas vezes tentava recriar lances importantes da partida ou posava cansada e suada. A partir de agora, era possível capturar o momento decisivo. O segundo pontapé está diretamente relacionado com a chegada da tecnologia digital nos anos 80. Demorou pouco mais de 10 anos para que fotógrafos profissionais e amadores de todo o mundo se rendessem às vantagens da era digital. Tudo acontecia num instante, e era possível capturá-lo.

 

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O momento decisivo

Era um caminho sem volta: a fotografia digital mudou drasticamente a maneira como se realizavam os registos. Havia uma infinidade de câmaras de pequeno porte, fáceis de carregar para todo o lado e com a modernização das objetivas, agora era possível trocá-las. Um cenário perfeito para o surgimento de um novo movimento.

Um novo olhar fotográfico surgia e seria conhecido como “o instante decisivo” ou fotojornalismo de instante, conceito poeticamente retratado por Henri Cartier-Bresson no seu livro The Decisive Moment (O Momento Decisivo). Pioneiro do fotojornalismo, Bresson acreditava que não havia nada no mundo sem um momento decisivo e dedicou a sua vida a capturá-los. A sua obra escrita conta com diversos livros que abordam essa sublime filosofia. Diversos outros nomes surgiram na época, como Robert Capa, Martín Munckasi, Waker Evans, entre outros, que marcaram um pequeno momento de revolução no universo da fotografia do desporto em geral.

O curioso é que Bresson, nunca tirou uma fotografia de desporto ou pelo menos não há nenhum arquivo disponível na internet. Apesar disso, o seu conceito encontra um perfeito encaixe dentro de um campo ou de uma quadra. A filosofia de Bresson, de que qualquer coisa pode ser definida num recorte de um momento crucial, relaciona-se de modo perfeito com o trabalho de um fotógrafo em campo. Graças ao olhar deste fotógrafo e aos equipamentos cada vez mais modernos, é possível ver o resultado dos jogos de hoje resumido em imagens tão exuberantes que, para além de um registo, servem como um verdadeiro instrumento de narrativa para uma história. 

 

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Fotos retiradas do Banco de Imagens pexels.com