Um desafio… e uma amizade sem idade

 

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“Esta senhora amorosa é a ‘dona Lé’.
Estava prestes a almoçar, quando a fui visitar, num sábado quente e com a luz intensa do meio dia. Mas a alegria de me receber foi tão grande que não se importou de me dar uns minutos para lhe tirar alguns retratos. Até se sentiu lisonjeada!

Há tanto tempo que a queria fotografar… Via-a a passar aos domingos, a caminho da igreja, com uma simplicidade e elegância incomparáveis. Ou na paragem do autocarro, quando seguia no sentido oposto. Sempre vestida de preto. Alta, esguia, séria.

Tem, no entanto, um dos sorrisos mais bonitos e genuínos que conheço. Apesar da vida sofrida, da dor de ter perdido um filho recentemente, e de já não poder costurar – o que adorava e fazia de forma exímia.

Era uma das suas clientes habituais. Cobrava pouco, mas dei sempre mais. Porque não há nada que pague a simpatia e a humildade de gente de bem. Faz-me lembrar imenso a minha avó alentejana, que perdi ainda adolescente. É tão fácil gostar dela. E eu gosto.

Por isso, selecionei uma das suas fotografias para me candidatar ao desafio Olhares, na categoria de retrato. Foi-me atribuída, novamente, uma menção honrosa. E claro que fiquei contente.🙂 Mas, por ela: pelo olhar que nos toca a alma e o sorriso que nos aquece o coração, tive esperança de chegar um pouco mais além, reconheço. Ela merecia. E queria ter-lhe dado essa alegria.

Mas, depressa percebi que, se não participo nestes desafios pelos prémios, o melhor presente que lhe posso dar é visitá-la mais vezes. E entregar-lhe, numa moldura, uma memória fotográfica partilhada.”