Vencedores do Prémio Estação Imagem 2021 Coimbra

 

Gonçalo Delgado é o vencedor do Prémio de Fotojornalismo 2021

O fotojornalista Gonçalo Delgado é o grande vencedor da 12ª edição do PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM, que distingue os melhores trabalhos de fotojornalismo. Trata-se de uma reportagem que põem em confronto a vida e o espectro da morte, o nascimento e a agonia, representados pelas unidades de Obstetrícia e de Cuidados Intensivos Codid-19 separadas apenas por um andar na mesma unidade hospitalar.

 

O anúncio e entrega dos prémios teve lugar esta tarde em Coimbra, no Convento de São Francisco, numa cerimónia em que participaram a vereadora da Cultura da Câmara Municipal, Carina Gomes, o presidente do júri, Thomas Borberg, e o director da Estação Imagem, Luís Vasconcelos.

 

Para Fotografia do Ano, a escolha dos jurados foi para uma foto do fotojornalista galego Brais Lourenzo Couto, obtida durante a celebração do 98º aniversário de uma utente num lar de idosos fortemente atingido com pelo coronavírus. Nesta mesma categoria, o júri decidiu atribuir ainda uma menção honrosa para a fotografia de Nuno André Ferreira que mostra uma criança num cenário de incêndio florestal.

 

Nas restantes categorias, o júri internacional premiou os fotojornalistas João Porfírio/Notícias, Ana Brígida/Assuntos Contemporâneos, Tiago Fonseca/Vida Quotidiana, e Leonel de Castro/ Retratos, tendo ainda atribuído menções honrosas a José Fernandes/Assuntos Contemporâneos, Francisco Romão Pereira/Vida Quotidiana, Pedro Gomes Almeida/Retratos e Paulo Nunes do Santos/Retratos.

 

Num ano marcado pela pandemia, o confinamento e as restrições a todas as actividades, o júri decidiu não atribuir quaisquer prémios nas categorias Arte e Espetáculos, Ambiente e Desporto.

 

A Bolsa Estação Imagem 2021 Coimbra foi desta vez atribuída ao fotojornalista Nuno André Ferreira, que se propõe desenvolver um trabalho sobre a vivência, tradição e importância histórica das Repúblicas estudantis, que são património da cidade e Universidade de Coimbra.

O vencedor do PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM é escolhido pelo júri de entre todos as fotoreportagens que se candidataram nas diferentes categorias. Apesar do contexto de confinamento que se prolongou por grande parte do ano, foram submetidas a concurso um total de mais de 300 trabalhos, tendo o júri sido obrigado – tal como já tinha acontecido no ano passado – a deliberar através de plataforma digital.

 

Presidido por Thomas Borberg, editor-chefe de fotografia do Politiken, da Dinamarca, e também jurado do World Press Photo, o júri desta 12ª edição do PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM teve ainda a participação de Jodi Bieber, vencedora de vários prémios internacionais, incluindo o Premier Award da World Press Photo em 2010; Fabio Bucciarelli, fotógrafo, jornalista e escritor cujos trabalhos têm sido reconhecidos com prémios como Fotógrafo do Ano 2019, Medalha de Ouro Robert Capa, World Press Photo ou Best of Photojournalism; Aïda Muleneh, fundadora e directora do Addis Foto Fest que iniciou carreira no The Washington Post e tem um resumo do seu trabalho na coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MoMA); Muhammed Muheisen, fotógrafo da National Geographic e duplo vencedor do Prémio Pulitzer; e Pierre Fernandez, Gestor Operacional para a Promoção de Conteúdos Multimédia da Agence France-Presse (AFP).

 

Esta é a quarta edição consecutiva que a cidade de Coimbra acolhe o PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM e o festival de fotografia que lhe está associado, numa organização conjunta da Câmara Municipal e da Associação Estação Imagem. Destaque mais uma vez para o conjunto de grandes exposições de fotojornalismo internacional que a cidade acolhe até finais de julho nos mais destacados espaços e galerias – Sala da Cidade/Câmara Municipal de Coimbra, Edifício Chiado/Museu Municipal de Coimbra, Casa Municipal da Cultura/Galeria Pinho Dinis, Centro Cultural Penedo da Saudade, galeria da Casa-Museu Bissaya Barreto, Café Teatro Académico de Gil Vicente e Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.

 

Dedicado ao fotojornalismo, o PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM é não só único na Península Ibérica como um dos raros que se realizam em todo o mundo focados na reportagem fotojornalística. É destinado a fotojornalistas de Portugal, dos PALOP e da Galiza, bem como estrangeiros que trabalhem nestes territórios.

 

 

 


# PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM 2021 COIMBRA

REGENESIS

Gonçalo Delgado

Existe apenas um andar que separa a obstetrícia dos Cuidados Intensivos covid-19. O elevador conduz para o que todos nós tememos enfrentar. No quinto andar, os gritos dos recém-nascidos iluminam os confinados na Unidade de Terapia Intensiva que lutam para sobreviver. Para alguns, este vírus afetará ligeiramente, para outros pode significar o último suspiro. Até 31 de dezembro, a covid-19 já tinha ceifado 6.830 vidas, num cenário de infecção de 406.051 pessoas no país. É um esforço hercúleo dos profissionais de saúde, que a cada dia dão o peito à batalha mais desigual que já vivemos no nosso país. Aprender a viver após a transformação deste mundo não será uma tarefa fácil.

 

 

 

ANIVERSÁRIO Brais Lourenzo Couto
ANIVERSÁRIO
Brais Lourenzo Couto

# FOTOGRAFIA DO ANO

ANIVERSÁRIO

Brais Lourenzo Couto

As trabalhadoras da residência de idosos San Carlos de Celanova (Ourense) celebram o 98º aniversário de Elena Pérez, duas semanas depois de ter superado o coronavirus. Nove residentes morreram nesta casa e mais de quarenta foram contaminadas com covid-19. Os idosos foram o grupo mais vulnerável à pandemia do coronavírus, que sacudiu todo o planeta.

 

 

 

INCÊNDIO FLORESTAL Nuno André Ferreira
INCÊNDIO FLORESTAL
Nuno André Ferreira

# FOTOGRAFIA DO ANO / MENÇÃO HONROSA

INCÊNDIO FLORESTAL

Nuno André Ferreira

Uma criança sentada dentro de um carro perto de um incêndio florestal em Oliveira de Frades, em 7 de setembro de 2020, em Portugal. Cerca de 300 bombeiros, 100 veículos terrestres e dez aviões de combate a incêndios combateram este incêndio numa orografia difícil e com uma paisagem dominada por pinheiros e eucaliptos.

 

 

 


# NOTÍCIAS

MANIFESTAÇÕES CONTRA O RACISMO

João Porfírio

O afro-americano Walter Wallace, de 27 anos, morreu, em 25 de Outubro, em Filadélfia. Atingido pela polícia com pelo menos 10 tiros, com a justificação de que Wallace teria supostamente uma faca. Na noite de 27 de outubro, dezenas de lojas foram totalmente destruídas e roubadas na parte oposta da cidade, onde teve lugar uma manifestação contra o racismo, com feridos e vários detidos. As eleições para a presidência dos Estados Unidos aconteceram no dia 3 de Novembro, tendo como candidatos Donald Trump, do Partido Republicano, e Joe Biden, do Partido Democrata. Biden acaba por ganhar a eleição e tronar-se no Presidente dos Estados Unidos da América.

 

 

 


# ASSUNTOS CONTEMPORÂNEOS

SUPER-HERÓIS

Ana Brigida

Trabalhadores da Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, vestidos de super-heróis enquanto trabalham durante o primeiro lockdown provocado pela pandemia covid-19. A iniciativa surgiu para homenagear estas pessoas que todos os dias trabalham a favor da comunidade no apoio às necessidades básicas dos moradores. A ideia destaca o trabalho dos 64 funcionários da junta, ao mesmo tempo que recorda a importância das pessoas que realizam estas tarefas quase invisíveis de limpeza, segurança, secretariado e solidariedade.

 

 

 


# ASSUNTOS CONTEMPORÂNEOS / MENÇÃO HONROSA

SURDA CEGUEIRA

José Fernandes

César Casanova tem 29 anos, nasceu surdo e aos 9 começou a perder a visão. Hoje a sua incapacidade visual é de 96%. O mundo de César pode ser diferente na perceção da realidade, mas não nas ambições. Estuda matemática na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e tem o sonho de um dia escrever um livro e dar aulas a surdos e cegos. Durante a semana, fica na residência dos estudantes, onde tem apoio de auxiliares, mas também a sua independência. A contextualização é uma desconstrução da realidade que se pretende interligar entre a comunicação e as suas ações. O toque, a pegada é a marca que consegue deixar, a maneira de comunicar com os outros. É assim que César ultrapassa o fosso que o separa de tudo o resto.

 

 

 


# VIDA QUOTIDIANA

O BURACO

Tiago Fonseca

Agrações está a cerca de 25 quilómetros de Chaves. É uma pequena aldeia, onde apenas doze pessoas ainda a habitam permanentemente. Não há construções novas e, à exceção das casas habitadas, as restantes estão em ruínas e tudo nos leva a pensar que a aldeia acabará por desaparecer quando desaparecerem o resto nos seus habitantes. Agrações irá com eles. Vivem da agricultura, dos animais que criam, e também da apanha da castanha. Não há horas de folga ou fins de semana. Trabalham todos os dias. Aqui não há saneamento básico nem água corrente. Cada habitante teve de construir o seu próprio depósito de água. Agrações mostra perfeitamente os problemas que afetam as aldeias do interior de Portugal. Um país cheio de desigualdades.

 

 

 


# VIDA QUOTIDIANA / MENÇÃO HONROSA

MÃE

Francisco Romão Pereira

Uma narrativa dedicada à minha Mãe. Uma história sobre vida e resiliência, sobre amor e esperança. Diagnosticada com mieloma múltiplo em outubro de 2012, um tipo de cancro considerado raro, tem enfrentado a doença e vivido com as sequelas que esta vai provocando. Em 2014, realizou o seu primeiro auto-transplante de medula óssea. Nos anos seguintes, o cancro esteve em remissão. Em 2020, com o reactivar da doença, teve de passar por um novo auto-transplante, tendo ficado isolada e privada do acompanhamento dos que lhe são mais próximos enquanto esteve no IPO, devido ao contexto pandémico.

 

 

 


# RETRATOS 

DESPOJOS DE GUERRA

Leonel de Castro

Talvez a marca mais persistente da fraqueza humana seja a guerra, expressão brutal da incapacidade de viver em harmonia com o outro: o que pensa diferente, o que reza diferente, o que é diferente. A Guerra Colonial hipotecou ou aniquilou o futuro de milhares de jovens portugueses, na maioria forçados a lutar por algo em que não acreditavam ou que não percebiam: a alegada defesa da pátria mascarava a obstinação imperial de Salazar, que o resto do mundo rejeitava. Estertor da ditadura, deixou cicatrizes, físicas e psicológicas, em quem lá andou. E os deficientes das Forças Armadas, que só ganharam respeito e direitos por se unirem numa associação nada militarista, são, em simultâneo, símbolo do horror a que foram submetidos e exemplo da determinação com que se reinventaram e reergueram.

 

 

 


# RETRATOS / MENÇÃO HONROSA

ENTRE AS MARGENS DO SER

Pedro Gomes Almeida

Designa-se por trans uma pessoa que abandonou a identidade que lhe foi atribuída para assumir a que lhe é própria, num processo designado transição de género. A transição muitas vezes implica a adaptação do corpo para que a identidade de género e corporal coincidam, definindo novos territórios, corpos na fronteira entre masculino e feminino. Tal como a transição cria relevos no corpo, também o território e paisagem são mutáveis – numa escala de tempo superior. A partir deste pressuposto, pesquisei no território estados simbólicos me ligassem à ideia de transição e aos pressupostos transmitidos nos diálogos e escritos das pessoas que retratei. Ambientes de fronteira, onde tudo é modificado: a ocupação, o geológico, o orográfico, tal como o relevo do corpo é mudado com a transição.

 

 

 


# RETRATOS / MENÇÃO HONROSA

HOME: Projetando o intangível em tempo de isolamento

Paulo Nunes dos Santos

Nos primeiros meses de isolamento, os meus filhos e eu embarcamos em um projeto colaborativo para desenvolver uma série de retratos. À medida que a ideia de confinamento se tornou real, enquanto família, tentamos chegar a termos com o novo normal. As crianças estavam em casa 24 horas por dia, 7 dias por semana, as escolas fecharam e todas as atividades sociais e desportivas foram canceladas. Ver o meu filho pré-adolescente e a minha filha de 5 anos com a infância interrompida pela rápida proliferação de um novo vírus, fez despertar algumas ansiedades desconhecidas. Usando um antigo projetor de slides Kodak e nossa casa como tela, fomos incorporando imagens de lugares distantes em cenas da rotina diária das crianças. As projeções acabaram por servir de distração e trazer algum entusiasmo.

 

 

 


# BOLSA ESTAÇÃO IMAGEM 2021 COIMBRA

REPÚBLICA

Nuno André Ferreira

Espaços míticos em Coimbra, as repúblicas estudantis são casas com origem muito antiga, onde os alunos das várias faculdades vivem em família. Ganharam fama e tradições próprias ao longo dos tempos e nos anos 60 do século passado – marcados por toda a Europa pelas lutas estudantis e reformas democráticas – as Repúblicas de Coimbra assumiram um papel de liderança na política nacional. Defenderam a democracia tanto quanto a liberdade. Uma república destaca-se das outras casas para estudantes pelo seu objetivo de procurar também ensinar um “saber viver”, “saber fazer” e “saber dizer”, utilizando a vida boémia e convívios para despertar o debate e reflexão sobre temas mais complexos.

Em Coimbra, há atualmente mais de duas dezenas de Repúblicas em funcionamento, estando a quase totalidade agrupadas no Conselho de Repúblicas (CR), que se reúne a pedido de qualquer das casas que o compõe e que toma as suas decisões por unanimidade. Aquando a formação da república, é decidido se a república aceita qualquer tipo de candidaturas ou apenas alunos de uma universidade ou faculdade. Existem repúblicas que dão preferência a homens, mulheres ou pessoas deslocadas, contudo não sendo isto obrigatório para a admissão. Depois de aceite por votação, o novo residente fica algum tempo à experiência, durante o qual tem o título de Plebeu, Candidato, ou outras consoante a casa, sendo necessária uma nova votação para ser aceite como Repúblico, ou seja, residente permanente.

O trabalho que me proponho fazer é sobre as repúblicas mais antigas e tradicionais de Coimbra. Retratar a sua riqueza cultural e sobretudo o seu quotidiano e a forma como vivem na cidade de que fazem parte. O objetivo é identificar as Repúblicas ainda existentes na cidade de Coimbra e o que nelas há de mais genuíno. Qual o seu papel na vida académica dos alunos e o que representam para a comunidade estudantil. Acompanhar um ano lectivo, documentado em várias etapas. As histórias que que no seu interior acontecem. O convívio promovido por elas. Uma imagem real e digna de dentro para fora como se eu próprio fosse um aluno residente. Seria como viver a vida estudantil. Este projeto será desenvolvido em várias fases do ano. Tentar ser uma espécie de residente, mesmo que temporário. Em época de recepção de alunos, exames e de festividades académicas. A integração de alunos na academia bem como toda a sua envolvência.